Geologia planetária
A geologia de Encélado é complexa, incluindo falhas
na superfície, dobras e crateras ténues. A lua passou
por actividade geológica nos últimos quatro mil milhões
de anos até ao presente. Estudos feitos com recurso às imagens obtidas pela sonda
Voyager 2 mostraram que Encélado possui pelo menos cinco
tipos diferentes de terreno, incluindo várias regiões
de terreno crivado, terreno plano recente e faixas de terreno
acidentado. Foram ainda observadas fissuras lineares de dimensão
considerável. Dada a relativa falta de crateras nas planícies,
estas regiões têm, provavelmente, menos de 100 milhões
de anos. Desta forma, Encélado derá ter tido actividade
recentemente com recurso a "vulcanismo de água" ou
outros processos que renovam a superfície. O gelo novo
e limpo que domina a sua superfície, torna Encélado
no corpo celeste do sistema solar com maior albedo (0.99).
Com recurso às observações feitas nos três
encontros da sonda Cassini com Encélado em 17 de Fevereiro,
14 de Março e 14 de Julho de 2005 mostraram a superfície
em muito maior detalhe que a Voyager 2. Nomeadamente, as planícies
lisas observadas pela Voyager 2 foram vistas pela Cassini como
regiões livres de crateras com vários pequenos cumes
e escarpas. Muitas fracturas foram encontradas dentro do terreno
crivado, sugerindo uma deformação considerável
desde a formação das crateras. Finalmente, várias
regiões adicionais de terreno jovem foram descobertas em áreas
que não tinham sido fotografadas, nomeadamente o terreno
bizarro encontrado na região do pólo Sul.
Imagens de alta-resolução da Cassini mostram jactos
gelados e plumas em torre ejectando grandes quantidades de partículas
a alta-velocidade. Estes jactos provêm de bolsas de água
(acima de 0 graus centígrados) próximas à superficie.
Assim, Encélado foi adicionado à lista de mundos
com uma forma de vulcanismo activo.
Nas condições próximas do vácuo da
superfície, essa água dissipar-se-ia no espaço.
Análises feitas aos jactos e plumas indicam que a maioria
das partículas acabam por cair de novo na superfície,
dando ao pólo sul um aspecto extremamente brilhante, local
que deverá ser o único, na lua, onde a água
existe mais próxima da superfície. As partículas
que conseguem escapar à gravidade de Encélado acabam
por entrar na órbita de Saturno, formando o anel E.
Algumas características geológicas no hemisfério
sul indicam que existem alterações na forma do lua
ao longo do tempo. Acredita-se que pode estar relacionado com
aquecimento interno intenso no passado, o que, por último,
explica o aquecimento anómalo e a actividade na região
polar sul.
Atmosfera e clima
Dado que Encélado reflecte praticamente toda a luz que
recebe do Sol, a temperatura média à superfície é de
-198 °C, algo mais frio que as outras luas de Saturno. A atmosfera é uma
fina cobertura composta por vapor de água, e sua maior
no pólo sul se deve a atividade geológica na região,
que é a mais quente do satélite, com -163 °C.
As listas de tigre também estão associadas a condução
dos gases atmosféricos por toda a superfície do
satélite. Considerando a baixa gravidade desse pequeno
satélite, a atmosfera se deve exclusivamente aos vapores
que saem de suas entranhas, uma vez que Encélado a perde
constantemente para o espaço, portanto, há produção
e perda constante de gases atmosféricos. Nessa atividade,
as partículas que Encélado emite abastece o mais
externo dos anéis de Saturno.
Vida em Encélado
A sonda Cassini parece ter encontrado provas da existência
de reservatórios de água líquida que entra
em erupção ao estilo de géisers. A existência
deste tipo de actividade geológicaa num mundo tão
pequeno e frio acrescenta significativamente o número de
habitats com capacidade de sustentar organismos vivos no sistema
solar.
Outras luas do sistema solar, tais como Europa ou Ganímedes,
têm oceanos de água líquida por baixo de quilómetros
de uma crosta gelada. No entanto, no caso de Encélado,
existem bolsas de água a poucos metros da superfície.
Órbita
A órbita de Encélado em torno de
Saturno, em baixo a vermelho.
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